Resumo
A Maçonaria, enquanto instituição filosófica e filantrópica, exerceu importante papel na construção da sociedade brasileira, sobretudo no campo educacional. Desde sua fundação no Brasil, no século XIX, diversos maçons influenciaram diretamente a criação de escolas, universidades e reformas pedagógicas. Este artigo analisa historicamente as contribuições da Maçonaria brasileira à educação, destacando figuras-chave como Domingos José Gonçalves de Magalhães, Benjamin Constant, Ruy Barbosa e outros. Também se discute os desafios atuais e o que pode ser aprimorado na atuação maçônica no campo educacional.
Palavras-chave: Maçonaria, Educação, Brasil, História, Benjamin Constant, Ruy Barbosa.
Introdução
A Maçonaria, historicamente associada a princípios como liberdade, igualdade e fraternidade, teve expressiva influência na formação de diversos pilares da sociedade ocidental, entre eles a educação. No Brasil, a presença maçônica remonta ao início do século XIX, período em que o país ainda se organizava como nação independente. Diversos maçons se destacaram na luta por uma educação pública, laica e de qualidade, participando de movimentos reformistas, fundando escolas e ocupando cargos estratégicos no governo.
A Fundação da Maçonaria no Brasil e seu Contexto Educacional
A Maçonaria brasileira teve início formal com a fundação da Loja “Comércio e Artes”, no Rio de Janeiro, em 17 de junho de 1801. Desde os primeiros tempos, os maçons brasileiros se envolveram em movimentos de emancipação e modernização da sociedade, incluindo a área educacional.
Durante o Império, a Maçonaria defendia o ensino gratuito e laico, contrapondo-se ao modelo vigente, de educação elitista e religiosa. Em 1823, na Assembleia Constituinte, muitos deputados maçons já clamavam por mudanças estruturais na educação. A influência dos ideais iluministas foi marcante nesse processo.
Grandes Maçons e suas Contribuições Educacionais
Benjamin Constant (1836–1891)
Maçom ativo e fundador do positivismo no Brasil, Benjamin Constant foi responsável por uma profunda reforma educacional durante a República. Como Ministro da Instrução Pública, propôs uma estrutura de ensino nacional baseada em princípios científicos e laicos. Também foi o fundador da Escola Militar da Praia Vermelha e incentivou a criação do Colégio Pedro II como referência nacional.
Referência: SILVA, V. R. da. Benjamin Constant: positivismo e reforma do ensino. São Paulo: Ática, 2000.
Ruy Barbosa (1849–1923)
Jurista, político e maçom, Ruy Barbosa foi defensor ardente da educação pública e da valorização do magistério. Na reforma educacional de 1882, propôs a descentralização do ensino, a autonomia escolar e a liberdade de cátedra. Acreditava que a educação era a chave para o progresso moral e intelectual da nação.
Referência: FÁVERO, Maria de Lourdes de Albuquerque. Ruy Barbosa e a educação. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, v. 79, n. 193, 1998.
Domingos José Gonçalves de Magalhães
Considerado um dos primeiros maçons a introduzir ideias pedagógicas modernas no Brasil, foi defensor do ensino superior e da valorização da cultura nacional, sendo precursor do romantismo brasileiro e incentivador das letras e das ciências.
Referência: ALMEIDA, Maria das Graças de. A educação no século XIX. Rio de Janeiro: UFRJ, 2004.
Outros Destaques
Além dos nomes já citados, destacam-se também os maçons Joaquim Nabuco, José Bonifácio e Teixeira Mendes, todos envolvidos em causas educacionais, na promoção do ensino laico e na fundação de instituições de ensino.
As Escolas Maçônicas e sua Expansão
Diversas Lojas Maçônicas, ao longo dos séculos XIX e XX, fundaram escolas em cidades brasileiras, com o objetivo de atender à população menos favorecida, promovendo a inclusão e o progresso intelectual.
Um exemplo notável é o Colégio Sete de Setembro, fundado em 1904 em Fortaleza, com forte ligação com a maçonaria local. Em muitos municípios do interior do Brasil, ainda hoje se encontram escolas criadas ou apoiadas por lojas maçônicas.
Referência: BORGES, César Augusto. Educação e Maçonaria no Brasil. Revista Maçônica A Trolha, Londrina, n. 245, 2015.
Desafios e Oportunidades para o Século XXI
Apesar de sua rica história de contribuição, a Maçonaria enfrenta hoje o desafio de se reinventar perante uma sociedade cada vez mais tecnológica, multicultural e exigente.
Entre os pontos que podem ser melhorados destacam-se:
- Maior integração das lojas maçônicas com as instituições educacionais públicas;
- Investimento em projetos de alfabetização digital e inclusão tecnológica;
- Fortalecimento de bolsas de estudo e projetos sociais voltados à juventude;
- Ampliação do debate sobre educação cívica, ética e valores, dentro e fora das Lojas.
A atuação discreta da Maçonaria deve caminhar junto a uma presença mais efetiva e organizada nos debates educacionais contemporâneos.
Conclusão
A Maçonaria brasileira contribuiu de forma significativa para a evolução da educação nacional. Seus membros atuaram como reformadores, pedagogos, gestores e incentivadores do saber. A valorização da educação como instrumento de libertação e progresso sempre foi parte dos ideais maçônicos.
No entanto, é necessário que a Maçonaria atualize sua atuação para continuar sendo relevante neste campo. A criação de redes de apoio, centros educacionais e estímulo ao pensamento crítico e à cidadania podem ser os novos caminhos dessa tradição secular.
Referências Bibliográficas
- ALMEIDA, Maria das Graças de. A educação no século XIX. Rio de Janeiro: UFRJ, 2004.
- BORGES, César Augusto. Educação e Maçonaria no Brasil. Revista Maçônica A Trolha, Londrina, n. 245, 2015.
- FÁVERO, Maria de Lourdes de Albuquerque. Ruy Barbosa e a educação. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, v. 79, n. 193, 1998.
- SILVA, V. R. da. Benjamin Constant: positivismo e reforma do ensino. São Paulo: Ática, 2000.
- GOB. Grandes Maçons do Brasil. Grande Oriente do Brasil. Disponível em: https://www.gob.org.br
- FERREIRA, Marieta de Moraes. Educação e República no Brasil (1889-1930). Rio de Janeiro: FGV, 2001.
- CUNHA, Luiz Antônio. A universidade temporã: o ensino superior da Colônia à Era Vargas. São Paulo: Unesp, 2007.